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Onde erramos na venda de nossos serviços veterinários?

Onde erramos na venda de nossos serviços veterinários?

 

Um dos maiores desafios que enfrentamos nos dias atuais é entender o cenário onde a Medicina Veterinária parece que foi marcada a ferro e fogo com a letra escarlate da vergonha das profissões, e, seus profissionais passaram a ser os grandes vilões da vez, sendo taxados de mercenários, desalmados e gananciosos.

Atitude disseminada por parte da população que se intitula tutora de animais de estimação, que em uma tentativa criminosa de se livrar de sua responsabilidade e ainda, em alguns casos, motivada por sérios distúrbios psicossociais como a acumulação de animais e a incapacidade de estabelecer relações saudáveis e confiáveis com outras pessoas, ataca de forma obsessiva toda e qualquer barreira que se interponha em seu “compreender” do que seja a posse responsável e a relação com os profissionais da Medicina Veterinária.

Como resultado disso vejo diariamente postagens sucessivas de vários colegas que, ou estão sendo atacados nas mídias sociais, ou acabam comentando e divulgando situações que outros colegas estão passando e aí o momento vira uma catarse coletiva, um momento de liberação de mágoas e de tristezas, mas também de revolta e agressividade.

Sou Médico Veterinário com muito orgulho, devo a minha vida à essa carreira que abracei há quase 3 décadas e quando vejo essas postagens me solidarizo sim, mas não pretendo ficar apenas disseminando a constatação de que o mundo está cheio de situações assim, que denigrem o médico veterinário.

Todos sabem que criei a campanha “ Medicina Veterinária, eu me respeito, eu mereço respeito!” onde além de bater de frente com situações de desrespeito aos profissionais, eu procuro mostrar aos meus colegas que nós também temos sim nossa parcela de culpa. E muitas vezes alguns colegas se sentem ofendidos... mas acredite... é como diz o velho ditado..não vou passar a mão na cabeça de quem erra! Dói mais em mim do que em vocês!

 

E aí chego no título de nossa conversa ...onde erramos?

 

Primeiro a grande maioria da classe não se vê vestida, imbuída, personificando, executando o papel de vendedor de nada! O termo venda parece cada vez mais agressivo a uma geração cada vez mais distanciada da realidade de que Medicina Veterinária é um negócio sim, com custos, planos estratégicos, margens de lucro, contas e responsabilidades fiscalizatórias.

A romantização de nossa profissão, patrocinada muitas vezes pelos próprios órgãos de classe em campanhas de promoção e divulgação da profissão que mais pareciam contos de fada, ajudou a criar essa imagem de verdadeiros mártires do bem estar animal.

Um dos maiores desafios que encontro é orientar cada colega a rever seu posicionamento como profissional da área de saúde, sem que percam suas identidades profissionais. Não quero cópias! Não quero clones!

Quero profissionais que se respeitem, se protejam e agindo de forma profissional, melhorando seu discurso, sua postura, sua apresentação, sua linguagem escrita, corporal e corporativa possam sim encontrar respeito, crescimento profissional e mostrar de uma vez por todas que o tão exigido amor aos animais é uma grandeza energética que corre pararelo com nossas necessidades profissionais e humanas!

Por isso oriento sempre a cuidar de seus processos operacionais, suas documentações, treinarem suas equipes, encontrarem uma linguagem adequada á sua realidade mas sempre com um forte perfil educador, orientador.  Foco na questão da ambientação hospitalar pois todos sabem da minha crítica à década de 90 quando alguma alma bendita espalhou que a clínica veterinária tinha que ser uma extensão da casa do cliente... só esqueceram que costume de casa vai à praça né?  Por isso tantas cenas de desrespeito aos profissionais dentro de clínicas veterinárias protagonizadas por pessoas que jamais se comportariam assim em um consultório médico...onde está a diferença afinal?

Erramos no momento onde deixamos de lado nossa necessidade de agregar ao conhecimento técnico, o desenvolvimento e uso de ferramentas que nos ajudem a conquistar o respeito, a explicar o que é Medicina Veterinária ao nossos clientes e à sociedade como um todo.

Vejo colegas de especialidades altamente técnica cometendo os mesmos erros dos colegas generalistas, ou seja, o problema é de todos...erros de linguagem, erros de comunicação empresarial, erros de postura e conduta técnica e principalmente o erro em não admitir que vendemos sim... BEM ESTAR ANIMAL, CONHECIMENTO TÉCNICO, SAÚDE, AFETO, RELAÇÕES SAUDÁVEIS, SAÚDE PÚBLICA E INFORMAÇÃO.

 

O que fazer?

 

Perceber que Vender não é um pecado mortal....para começar!

 

Reconhecer que a melhor arma agora não é mais a defesa... e sim o ataque...mas o ataque altamente estratégico que nos coloque uma posição mais segura nesse campo de guerra que se tornou a Clínica de Pequenos Animais...onde explodem bombas de burn out... granadas de denúncias no Facebook... mísseis de denúncias falsas guiadas pela maldade...e minas explosivas cheias de falta de Ética Profissional...

Preparado?

Vamos juntos!

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Dr. Sergio Lobato
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Médico Veterinário formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Pós Graduado em Marketing e Estratégia pela Universidade Estácio de Sá, Colunista em Revistas e Blogs. Autor da Manual de Responsabilidade Técnica para Clínicas e Petshops

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